Capítulo 1 O Brasil na Guerra
Diversos autores já há muito vem se dedicando a descrever a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o que portanto não será objeto deste trabalho. Entretanto, apenas a título informativo, eis que não se trata do objeto da presente edição, adiantamos a seguir algumas informações alusivas, para suprir o leitor de alguns elementos básicos que auxiliarão a compor o quadro onde se inseriram os combaténtes brasileiros judeus. Razões da Declaração de Guerra Os submarinos nazistas afundaram a partir de 1942, 36 navios mercantes nacionais, com perda de um milhar de vidas preciosas brasileiras, 549 tripulantes e 502 passageiros. Somente em um dia, 16 ago 1942, 3 navios foram afundados com perda de quase 600 vidas, o que levou o Presidente Vargas, sob o clamor popular, a declarar em 22 ago 1942 o Estado de Beligerância contra a Alemanha Nazista e o Eixo. 1942 - Cronologia dos Acontecimentos que determinaram a entrada do Brasil na Guerra 15.01 (quinta) - A Terceira Reunião de Consulta dos Chanceleres das Repúblicas Americanas acontece no Rio de Janeiro, para assegurar uma resolução unânime e garantida de que as Repúblicas Americanas romperiam relações com as potências do Eixo. 28.01 (quarta) - O Governo Brasileiro aténde a resolução nº 15 da Segunda Reunião de Consulta dos Chanceleres das Repúblicas Americanas e rompe relações diplomáticas com os países do Eixo. 15.02 (domingo) - Torpedeado o navio Buarque. 18.02 (quarta) - Torpedeado o navio Olinda. 25.02 (quarta) - Torpedeado o navio Cabedello. 07.03 (domingo) - Torpedeado o navio Arabutan. 08.03 (segunda) - Torpedeado o navio Cayrú. 07.04 (quarta) - A primeira divisão da VP-83 chega a Natal (RN) 11.04 (domingo) - A primeira divisão da VP-83 inicia sua atividades de busca e patrulha. 15.04 (quinta) - Instalado um destacamento do exército em Fernando de Noronha. Abril - Descobertos no Rio de Janeiro centrais de rádio equipadas com modernos equipamentos alemães para enviar informes da quinta-coluna e espiões nazistas principalmente as posições dos navios em rota de abastecimento para o Norte da África. 01.05 (sexta) - Torpedeado o navio Parnahyba. 18.05 (quarta) - Torpedeado o navio Comandante Lyra. 22.05 (sexta) - Um B-25 Mitchell operando na Base Aérea de Fortaleza estava em patrulha próximo à costa onde o navio Com. Lira havia sido torpedeado dias antes pelo submarino Barbarigo. As 14:00h, a tripulação do B-25 comandado pelos Capitães Parreiras Horta e Oswaldo Pamplona encontrou um submarino na tona, que imediatamente começou a atirar no B-25 com metralhadoras. Como o Brasil era neutro, as regras de combaté só poderiam ser usadas se o inimigo atacasse primeiro. A tripulação do B-25 lançou cargas de profundidade que caíram próximo ao submarino mas não o danificaram. 23.05 (sábado) - É instituída a Comissão Mista de Defesa Brasil-Estados Unidos. 24.05 (domingo) - Torpedeado o navio Gonçalves Dias. 01.06 (segunda) - Torpedeado o navio Alegrete. 05.06 (quarta) - Torpedeados os navios Paracuri e um pesqueiro. 26.06 (sexta) - Torpedeado o navio Pedrinhas. 25.07 (sábado) - Torpedeado o navio Tamandaré. 28.07 (terça) - Torpedeados os navios Piave e Barbacena. 15.08 (sábado) - Torpedeados os navios Baependy e Araraquara. 16.08 (domingo) - Torpedeado o navio Annibal Benévolo. 17.08 (segunda) - Torpedeados os navios Itagiba, Arará e um pesqueiro. 18.08 (terça) - O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) publica nota esclarecendo à população os torpedeamentos. 19.08 (quarta) - Torpedeado o navio Jacira. 22.08 (sábado) - Face a agressão, o Brasil após reunião do Ministério reconhece a situação de beligerância contra a Alemanha e Itália. Fundado o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva da Aeronáutica. 24.08 (segunda) - A rádio de Berlim irradia para o Brasil um comentário falso sobre o estado de beligerância. 26.08 (quarta) - A tripulação do Vultee V-11 GB2, operando da Base Aérea de Porto Alegre, comandado por Alfredo Gonçalves Corrêa atacou um U-boat próximo a Araranguá (SC). O U-Boat foi atingido e adernou bastante, mas a aeronave também foi danificada quando as bombas explodiram. A aeronave retornou em segurança para o aeroporto de Osório (RS) e não para sua base. 28.08 (sexta) - A tripulação do Vultee V-11 GB2 de Manuel Rogério de Souza Coelho atacou um submarino inimigo próximo a Iguape (SP) sem reportar qualquer dano. 31.08 (segunda) - Através do Decreto Lei 10.358, o governo declara o estado de guerra para todo o Brasil. 05.09 (sábado) - Criado o primeiro comboio regular entre portos brasileiros. 07.09 (segunda) – Em grande operação a Polícia descobre no Rio de Janeiro diversas bombas-relógio ocultas em pontos estratégicos no entorno do local do Desfile Militar de 7 de Setembro. Alguns sabotadores são presos. 12.09 (sábado) - O Brasil coloca sua força naval sob o controle operacional da Marinha dos EUA, sob o comando do Almirante Jonas Ingram. 27.09 (domingo) - Torpedeados os navios Osório e Lages. 28.09 (segunda) - Torpedeado o navio Antonico. 03.11 (terça) - Torpedeado o navio Porto Alegre. 22.11 (domingo) - Torpedeado o navio Apalóide. 02.12 (quarta) - São estabelecidas no Rio de Janeiro a Base de Operações Navais e a Base Aérea Naval.
Participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial
a) Exército - FEB – Força Expedicionária Brasileira, inicialmente prevista com três Divisões de Infantaria Expedicionária. Entretanto, o término do conflito tornou desnecessário o envio de outras tropas além da 1ª DIE, enviada para a Itália com 25 mil homens sob o comando do então General Mascarenhas de Moraes, depois promovido pelo Congresso Nacional a Marechal enquanto viveu. A FEB foi incorporada ao V Exército Americano, lutando em terreno íngreme e montanhoso dos Apeninos, em temperaturas de até 20 graus negativos, perdendo 457 soldados mortos em combaté. Teve grandes vitórias em combatés famosos como Monte Castelo, Montese, Castelnuovo, Camaiore, Colechio, Fornovo e tantos outros. Derrotou e capturou a 148ª Divisão nazista completa sob o comando do General Otto Freter Pico, com 20.573 homens, dos quais 2 generais e 892 oficiais alemães, 80 canhões, 5 mil viaturas e 4 mil cavalos. b) Aeronáutica - 1° Grupo de Aviação de Caça, o Senta a Pua foi enviado para a Itália sob o comando do Tenente Coronel Aviador Nero Moura. A FAB organizou o 1° Grupo de Aviação de Caça que foi treinado e recebeu aviões no Panamá e Estados Unidos, incorporando ao 350° Grupo de Caça americano na Itália. Tinha 458 homens, tendo perdido 8 pilotos e 16 aviões. c) Marinha - Realizou a proteção dos comboios de navios mercantes no Atlântico Sul, afastando os submarinos nazistas. Escoltou os navios que transportaram a FEB para a Itália. A Marinha realizou 195 escoltas a comboios, com 1.396 navios brasileiros e 1.505 de outras nacionalidades, perdendo mais de 500 homens em suas missões durante a guerra. d) Marinha Mercante – sofreu enormes perdas humanas e em tonelagem de navios, durante a campanha submarina nazista, mantendo ainda assim as linhas de transporte estratégico. Com a formação de comboios protegidos por navios de guerra nacionais, as perdas praticamente cessaram. Dos 25 mil Veteranos da FEB, estima-se que em 2008 existam cerca de 20% de remanescentes, na faixa etária acima de 80 anos. A ANVFEB realiza um trabalho de amparo aos Veteranos e descendentes. Metade dos tenentes da FEB foram formados nos CPORs. Eram estudantes universitários convocados. Prova do apoio da sociedade ao esforço de guerra. Os que assim desejaram, puderam candidatar-se a prosseguir a carreira após a guerra, galgando postos superiores. Na Itália existem diversos monumentos em homenagem aos pracinhas brasileiros, onde até hoje se realizam atos recordatórios. Em 2005, nos 60 anos do Dia da Vitória Aliada na Europa, delegações brasileiras foram à Itália, e delegações italianas vieram ao Brasil marcar a data. Até hoje os italianos das regiões onde a FEB operou manifestam sua gratidão por terem sido libertados pelos brasileiros.
Organizações militares febianas
Infantaria 1° BIMTz (ES) – Rio de Janeiro - RJ 6° BIL – Caçapava - SP 11° BI Mth – São João Del Rei - MG 1° BPE – Rio de Janeiro – RJ Cavalaria 1° Esqd C L – Valença - RJ Artilharia 1° GAC Sl – Marabá - PA 21° GAC – Rio de Janeiro - RJ 20° GAC L – Barueri – SP 11° GAC – Rio de Janeiro - RJ Engenharia 9° BE Cmb – Aquidauana - MS Comunicações BEsCom – Rio de Janeiro - RJ Intendência 21° B Log – Rio de Janeiro – RJ
Transporte da FEB para o Teatro de operações da Itália
Com exceção de 111 militares, dos quais 67 enfermeiras que seguiram via aérea, a FEB foi transportada em navios americanos escoltados por belonaves nacionais entre 02 jul 1944 e 04 fev 1945, em 4 escalões. O 2º escalão foi transportado no General Mann (1º RI e outras unidades) e General Meigs (11º RI e outras unidades).