Capítulo 6 Homenagens Individuais e Nominata
a) Ex-Combaténtes Brasileiros Judeus – 42 Veteranos Abrahão Fainguelernt
Filho de Bella e Jacob, Abrahão nasceu no Paraná aos 23 set 1923. Como tantos estudantes da tradicional Escola Polytechnica, Alma Matér da Engenharia Nacional, apresentou-se como voluntário para cursar o CPOR/RJ, no quartel de São Cristóvão, ao lado da Quinta da Boa Vista. Sentou praça como Aluno do CPOR/RJ em 16 mar 1942, tendo sido declarado Aspirante a Oficial da Reserva de Artilharia em 29 set 1943, em 12° Lugar na turma de 81 alunos, com média 7,329. Aos 06 jan 1944 foi reincluido ao serviço ativo do Exército, para fins de Estágio de Instrução no 3° Grupo de Artilharia de Costa e Forte Copacabana. Terminado o Estágio no Forte Copacabana, por Decreto de 17 abr 1944 o Presidente da Republica o promoveu ao posto de 2° Tenente. Abrahão foi convocado para o Serviço Ativo e mandado para realizar o Curso de Especialização em Artilharia de Costa para Oficiais da Reserva na EsACos, Fortaleza de São João, tendo sido diplomado em 03 ago 1944 com média 9,7 em 2° Lugar numa turma de 25 alunos. Na sua Folha de Alterações o Comandante da Escola o conceitua como Oficial calmo, pontual, inteligente, um dos melhores da turma, podendo ser aproveitado para Instrutor, revelando na parte prática boa aptidão para os comandos de seu posto e superiores. Em 07 ago 1944 Abrahão foi incluído no 1° Grupo de Artilharia de Costa e Fortaleza de Santa Cruz, em Jurujuba – Niterói, onde foi Oficial Subalterno da 1ª Batéria. O Comandante, Tenente Coronel Henrique Sadok de Sá o elogiou pela sua conduta e colaboração ao Grupo no curto período em que serviu, mostrando primar por excelente educação civil e militar. Aos 14 dez 1944 foi transferido por necessidade do serviço para a 1ª Batéria Móvel de Artilharia de Costa, na Vila do Mosqueiro, Estado do Pará, onde desempenhou as funções de Comandante das 1ª e 2ª Seções, Oficial de Tiro e Transmissões, Encarregado da Escola Regimental, Encarregado dos Paióis e Oficial de Educação Física. O Comandante da Batéria o elogiou em Boletim como “ ... Oficial de escol, disciplinado, estudioso e inteligente, bastante competente em qualquer assunto, principalmente na parte referente a eletrotécnica, deixando uma lacuna difícil de ser preenchida. Lamentando o seu afastamento, formulo os melhores votos de felicidades ao Ten Abrahão para que na vida civil, e na nobre profissão que abraçou, cujos estudos interompeu para prestar seu concurso à defesa da Pátria durante os dias negros da maior conflagração mundial, continue empregando os maiores esforços para ver brilhantemente coroado seu ideal. No Pará, serviu até ser licenciado do Serviço Ativo aos 04 jan 1946, tendo participado efetivamente de operações bélicas durante o conflito mundial, cumprindo missões de Vigilância e Segurança do Litoral com a sua Batéria no período de 03 nov 1944 a 08 mai 1945, o Dia da Vitória Aliada na Europa. Seu tempo total de serviço militar foi de 03 anos, 06 meses e 13 dias, o que lhe deu o direito a pensão especial concedida em 18 out 96, nos termos do Art 53, inc. II do ADCT (Constituição Federal de 1988) e Lei 8059/90. Retornando a vida civil, Abrahão retomou os estudos na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, onde recebeu o Prêmio ENG ADOLPHO MURTINHO, do CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura, como melhor aluno em 1947 das cadeiras de Eletrotécnica Geral, Medidas Elétricas e Magnéticas, Estações Geradoras, Transmissão de Energia Elétrica e Aplicações Industrias da Eletricidade. Distinto Oficial da Reserva de Artilharia, que honrou as tradições da Arma de Mallet na Defesa da Costa brasileira contra uma possível invasão nazista, deixou-nos aos 06 dez 2000, deixando a viúva, Sra Miriam Fainguelernt. Adio Novak Adio Novak nasceu em 12 ago 1920 no Rio de Janeiro, filho de Motta e Vera Novak, tendo sido 3º Sgt da FEB, e transferido para a reserva no posto de Capitão R/1 de Infantaria. Foi condecorado com as Medalhas de Guerra e de Campanha. Era filho de Motta e Vera Novak. Frequentava a Sinagoga Beith Yacov de Copacabana na Rua Capelao Alvares da Silva. Seu filho Markus Novak e esposa Ana Lúcia Novak tomaram a si a honrosa tarefa de preservar a memória deste dedicado ex-combaténte, pela organização de um minucioso arquivo, que inclui fotos, DVDs das suas apresentações no Rockefeller Center, recortes de jornais, quadros com medalhas, enfim uma pleiade de valiosos documentos que ficam assim para a posteridade, alguns inclusive doados em vida por ADIO para o Museu da FEB na Rua das Marrecas, a casa da FEB que Adio tanto prestigiava tendo sido um dos primeiros sócios. Adio embarcou para a Itália em 22 set 1944, integrando a tropa do QG do Gen Olympio Falconiere da Cunha. Na Itália foi incorporado ao QG / I DIE. Foi ao Front para combaté na Itália, mas dadas as suas habilidades de fama internacional, foi requisitado para desempenhar atividades especiais tais como servir de Intérprete oficial entre os exércitos americano e brasileiro e atuar no Serviço Especial da FEB para entretenimento dos soldados brasileiros. Formou o primeiro time de futebol da FEB que teve como participantes os jogadores Perácio, Jeninho e o goleiro Gilmar que se tornaram não só campeões do seu próprio time, mas também foram importantes jogadores do Botafogo. Convidado a fazer parte do Serviço Especial da FEB para entretenimento dos soldados, o fato de ter vivido no exterior e a fluência em inglês e outras línguas o credenciaram a servir de intérprete oficial entre oficiais dos exércitos americano e brasileiro. Os judeus tem grande tradição nas artes, no teatro, na música, mas no que concerne a outras especialidades, como as que Adio praticava, a história já registra menor participação relativa. Na área dos grandes circos, houve importantes nomes judeus, principalmente na Europa Central, como inigualável Harry Houdini. Malabarista, contorcionista e mágico, conhecido como o rei das escapadas, na verdade era o judeu hungaro Erik Welaz, que deveria ter sido rabino, assim como seu pai, que morreu pouco depois de emigrarem para Nova Iorque. Nascido em 1874 em Budapeste – Hungria, com 9 anos já montava e desmontava que tipo de fechadura, indo trabalhar num circo. Abria algemas, escapava de baús trancados no fundo do Rio Hudson e de jaulas, e se libertava de camisas de força pendurado nos arranha-céus de NYC. Morreu em 1926. Sua habilidade para escapar era enorme, graças as fechaduras da infância. Adio Novak foi o nosso Houdini, e recebeu como prêmio pela sua participação ativa e importante no Exército Brasileiro uma viagem à Europa. Em suas alterações militares oficiais consta um elogio do comandante da FEB, General Mascarenhas de Morais pela sua participação especial na Campanha da Itália, documento hoje incorporado ao acervo do Museu da FEB. O Cap Adio retornou ao Brasil em 28/jul/1945. Foi dos primeiros sócios da ANVFEB, sob nº 813, e identidade militar 1G 258.731. Morava na Rua Raul Pompéia em Copacabana. Este bravo soldado brasileiro faleceu em 7 de junho de 1988, e sua memória ficará eternizada como uma das glórias da comunidade judaica brasileira na sua contribuição à derrota do nazismo e restabelecimento das liberdades na Europa e no Mundo. Alberto Chahon Alberto Chahon, nascido em 12 dez 1919 no Rio de Janeiro, sentou praça como Cadete da Escola Militar do Realengo aos 28 abr 1938, sendo declarado Aspirante a Oficial da Arma de Infantaria aos 3 dez 1940. Em sua rica e extensa carreira militar ao longo de 39 anos, serviu em diversificadas Organizações Militares, como 14° Batalhão de Caçadores em Florianópolis, 2° Regimento de Infantaria, Rio de Janeiro, 1° Regimento de Infantaria, Regimento Sampaio, da Vila Militar no Rio de Janeiro, quando participou da Campanha da Itália, tendo embarcado em 22 set 1944 no posto de 1° Tenente, ao qual fora promovido aos 15 abr 1943. Na guerra era comandante do Pelotão de Transmissões do Regimento Sampaio, encarregado das comunicações do comando com as subunidades no front, o que o levou a exporse inúmera vezes ao perigo nas primeiras linhas de combaté, para garantir a chegada das ordens a tempo e a hora, as vezes sob a inclemência de tempestades de chuva e neve e sob fogo inimigo. Participou de ações importantes empreendidas pelo Regimento, como as batalhas de Monte Castelo. Foi à guerra junto com o irmão Moyses, do mesmo Regimento, fato que foi noticiado na imprensa da época. Por sua atuação foi agraciado pelo Presidente da República com a Cruz de Combaté de 2ª Classe, concedida aqueles que demonstraram heroísmo em combaté em ações coletivas. Retornou da guerra em 22 ago 1945. Após a promoção a Capitão aos 25 dez 1945 veio a ser matriculado na Escola Técnica do Exército, atual IME, formando-se em Engenharia Industrial de Armamento, sendo transferido para a Arma de Comunicações do Quadro de Engenheiros Militares. Serviu durante 6 anos no Arsenal de Guerra do Rio, e durante quase 5 anos como Diretor Técnico do Corpo de Bombeiros do então Distrito Federal, de onde foi para o DEPT – Departamento de Estudos e Pesquisas Tecnológicas do Exército, de onde saiu para tornar-se Diretor do Arsenal de Guerra de São Paulo. Foi promovido a Coronel do Quadro de Matérial Bélico aos 25 dez 1966, tendo passado para a Reserva em 08 abr 1974. Foi agraciado com as seguintes Medalhas: Cruz de Combaté de 2ª Classe, Medalha de Campanha, Cavaleiro da Ordem do Merito Militar de 1ª Classe, Medalha Militar com Passador de Ouro (30 anos), Medalha de Guerra, Pacificador, Mérito do Engenheiro Militar, Marechal Mascarenhas de Moraes, Conquista de Monte Castelo, Centenário do CBDF. Na vida civil foi Chefe da Assessoria de Planejamento e Coordenação da ECT e Engenheiro da Itaipu Binacional. Faleceu aos 11 set 2001.