David Leon Rodin, Edidio Guertzenstein e Elias Niremberg
David Leon Rodin(*) David Leon Rodin nasceu aos 05/10/1912 no Rio de Janeiro, filho de Isaak e Elisa Rodin. Seus pais eram da Rússia, o pai de Odessa e a mãe de Dubessá na Bessarabia. Quando jovens, no início do século XX, emigraram para a Argentina onde se conheceram e se casaram. Viveram alguns anos na Argentina e depois vieram para a cidade de Santos, no Brasil, onde montaram um pequeno hotel. Mais tarde se mudaram para o Rio de Janeiro e se estabeleceram na Praça Onze, onde Isaak montou uma loja de antiguidades, próxima à Rua de Santana, e Elisa, exímia cozinheira, uma pensão. Lá, tantos judeus como não judeus se deliciavam com sua culinária tipicamente judaica. Foi em um sobrado na Rua Benedito Hipólito 65, na Praça Onze, bairro em que naquela época se concentrava a maioria da comunidade judaica do Rio de Janeiro, que David Leon Rodin nasceu e passou grande parte de sua vida. Desde cedo, manifestou aos pais seu sonho de viajar e conhecer lugares distantes e remotos e lhes disse que queria entrar para a Marinha, o que, então, não foi levado em conta por julgarem ser um sonho efêmero. Diziam-lhe que ele seria médico, engenheiro ou advogado, como seus colegas. David cursou o primário na Escola Pública Clementino da Silva, na Rua do Senado, próxima a sua residência. Prestou concurso para o Colégio Pedro II, na antiga Rua Larga e atual Av. Marechal Floriano, tendo passado em 1º lugar, e onde cursou o ginásio e o científico. Em busca da realização de seus sonhos, prestou concurso, em 1927, para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante do Brasil, obtendo a 1ª colocação, onde formou-se como Praticante de Piloto, em 13 de novembro de 1929, aos 17 anos. Por ser filho único, David teve sérias rusgas com seu pai que era radicalmente contrário a carreira que ele pretendia seguir e que o sujeitaria a ausências prolongadas e fora do convívio familiar. Mas quem tem sonhos e ideais deve persegui-los, assim o fez David, vindo a tornar-se o primeiro Comandante brasileiro judeu da Marinha Mercante Brasileira. Por isto e por ser rígido e exigente com seus comandados, e consigo mesmo no cumprimento de suas obrigações, era conhecido como o “Comandante Judeu”, o que muito o orgulhava. Em 1935, aos 23 anos, já embarcado como Piloto em navios do LLOYD BRASILEIRO, conheceu numa festividade judaica Cecilia Sintob, também da Praça Onze, que viria tornar-se sua mulher. Por ser da Marinha Mercante, ocorreu um fato pitoresco neste relacionamento: David apaixonado por Cecilia, por diversas vezes tentou pedi-la em casamento aos seus pais, como era o costume da época, mas o pai de Cecília, Isaac Sintob, opunha-se terminantemente ao casamento pois achava que ele, David, sendo da Marinha, deveria ter uma mulher em cada porto. David, desanimado, achando que ia perder a noiva, apelou para um amigo que era delegado de polícia, pedindo-lhe que intimasse Isaac Sintob. Este muito assustado compareceu à delegacia e, após saber do que se tratava, explicou ao delegado porque não queria o casamento. O delegado, muito paciente, conversou com Isaac e explicou-lhe a sincera intenção de David. Depois de muita conversa e persuasão, Isaac concordou com o casamento, que ocorreu com grande pompa em 20/03/1937, na casa dos pais de David. Por força das constantes e ininterruptas viagens, David pouco participou da vida comunitária, porém fazia questão que seus filhos tivessem uma tradicional educação judaica, comandada por Cecília, oriunda de família seguidora de preceitos judaicos ortodoxos. Quando aportava no Rio, freqüentavaa Sinagoga da Rua de Santana; em outras cidades, procurava Sinagogas mais próximas do porto. O primeiro embarque de David ocorreu em 29/11/1929 no navio “Barbacena” na catégoria de Praticante de Piloto. Cada catégoria exigia um período mínimo de prática, quando então David retornava aos estudos na Escola de Marinha Mercante para galgar nova catégoria, e assim sucessivamente. Desta forma, foram muitos os navios de embarque e as funções desempenhadas por David, inclusive durante a 2ª Guerra Mundial. ANTES DA 2ª GUERRA • Praticante de Piloto – navios “Barbacena” e “Alegrete”, de 20/11/1929 a 09/02/1931; • 2º Piloto – navios “Ayuroca”, “Rodrigues Alves”, “Parnaíba”, “Mantiqueira” e “Comandante Alcídio”, de 12/03/1932 a 17/02/1937; • 1º Piloto – navios “Rodrigues Alves”, “Comandante Capela”, “Annibal Benévolo” e “Aracajú”, de 19/03/1937 a 31/01/1941. DURANTE A 2ª GUERRA • Como Capitão de Cabotagem ou Imediato, fez parte do comando dos navios “Murtinho” e “Pirineus”, no período de 01/02/1941 a 22/12/1945, realizando 65 viagens em “Zona de Risco Agravado” para assegurar o abastecimento e o transporte de matériais necessários à obtenção da vitória, sob a orientação das autoridades navais brasileiras, ao lado das Nações Unidas. Foi agraciado pelo Presidente da República com a “MEDALHA DE SERVIÇOS DE GUERRA COM 3 ESTRELAS”, outorgada pelo CONSELHO DO MÉRITO DE GUERRA DA MARINHA DO BRASIL, em 02/07/1948. Como reza o Diploma assinado pelo Ministro da Marinha, Almirante Sylvio de Noronha, “pelos serviços prestados durante a II Guerra Mundial ao lado das Nações Unidas contra os países do Eixo, a bordo de navios mercantes nacionais ou estrangeiros, empregados em assegurar o abastecimento e o transporte de matériais necessários à obtenção da Vitória, tornou-se merecedor da MEDALHA NAVAL DE SERVIÇOS DE GUERRA, COM 3 ESTRELAS”. APÓS A 2ª GUERRA • Capitão de Cabotagem, no navio “Sabará”, de 02/01/1946 a 09/10/1946; • Capitão de Longo Curso, nos navios “Comandante Capela”, “Sabará”, “D. Pedro II”, “Duque de Caxias”, “Joazeiro”, “Rio Tocantins”, “Rio Guaiba”, “Carioca”, “Loide Equador”, “Goiasloide”, “Ascanio Coelho”, “Comandante Ripper”, “Jangadeiro”, “Rodrigues Alves” e mais tantos outros navios de 09/10/1946 a 10/04/1967. David era membro da ASSOCIAÇÃO DOS EX-COMBAtéNTES DO BRASIL, seção do então Distrito Federal, sob a matrícula 12.720 e ident. 15.068. Ainda como Capitão de Longo Curso, foi nomeado para chefiar a representação do LLOYD BRASILEIRO na Holanda, com a missão de fiscalizar a construção de 8 navios para aquela autarquia. Lá ficou durante 26 meses. Foi também o responsável pela chefia da fiscalização da construção de 6 navios na Polônia para o LLOYD BRASILEIRO, bem como de, no comando, trazê-los ao Brasil. Foi professor da Escola de Marinha Mercante e incentivava jovens brasileiros judeus seguir carreira na Marinha Mercante. Enquanto navegava, como Capitão de Longo Curso, tinha por norma convocar judeus para fazerem parte de sua tripulação e dentre os mais assíduos se destacavam o 1º Comissário Jacob Niskier Z”L e o Assistente de Comissaria David Blinder Z”L. No início de abril de 1964, David, por ser dirigente do Sindicato dos Oficiais de Náutica da Marinha Mercante, permaneceu recluso durante 92 dias, em regime de incomunicabilidade, em Belém do Pará. No final de 1967, por força da grave diabetes que lhe acometia, deixou de navegar e assumiu a chefia da Área Técnica do LLOYD BRASILEIRO, exercendo o cargo de SUPERINTEN DENTE TÉCNICO DA FROTA, que era constituída por mais de 60 navios, e considerada, então, uma das maiores frotas do mundo. Ocupou este cargo até dezembro de 1972 quando de sua aposentadoria. David falava correntemente idish, russo, inglês, francês, alemão e um pouco de japonês. David faleceu em 20/03/1974, data em que completava 37 anos de casamento com Cecília Rodin, deixando 6 filhos: Sara, Rachel, Alberto, Mauro, Jane e Aiza. Com certeza, David Leon Rodin, realizou todos os seus sonhos de criança de vir a conhecer o mundo inteiro. Edidio Guertzenstein Nascido em São Paulo em 21 de Junho de 1918 era filho caçula do reverenciado Rabino Marcos Guertzenstein e Sara Guertzenstein. Formou-se em Medicina com 21 anos de idade e prestou concurso para o Quadro de Saúde da Marinha do Brasil, na qual ingressou no posto de 1º Tenente. Ao longo da II Guerra Mundial permaneceu embarcado, tendo cumprido cerca de 180 dias de mar em missões de escolta a comboios na costa brasileira e nas rotas do Caribe e em operações com as forças da IV Esquadra norte-americana. Seu Tempo em Campanha na Segunda Guerra foi de 15 mar 1944 a 16 mai 1945. Pela sua participação na II Guerra foi agraciado pelo Presidente da Republica com a Medalha Naval de Serviços de Guerra com 2 Estrelas, que premia os que participaram das operações visando assegurar as comunicações marítimas necessária à vitoria, sendo o Diploma assinado pelo Ministro da Marinha Almirante Sylvio de Noronha. Fato marcante no período foi o nascimento de sua primeira filha, Solange, em 19 de Abril de 1944, quando encontrava-se embarcado, a familia não tendo como participar-lhe a notícia. Após o término do conflito teve uma carreira destacada, sendo um dos primeiros Oficiais-Médicos da Marinha do Brasil designados para cursar nos Estados Unidos. Especializou-se em Cirurgia Pulmonar no Saint Albans Naval Hospital, em Nova York, e fez curso de cirurgia torácica em Boston, onde foi assistente do renomado cirurgião Professor Overholt. Foi Diretor do Sanatório Naval de Nova Friburgo e implantou a Clínica de Cirurgia Torácica do Hospital Naval Marcilio Dias, a qual na época constituiu-se em referência no tocante à cirurgia pulmonar. Recebeu diversas condecorações, nacionais e estrangeiras, incluindo-se a Ordem do Mérito Naval. Promovido a Capitão-de-Mar-e-Guerra, solicitou transferência para a Reserva, no posto de Contra-Almirante. Autor de livros sobre cirurgia pulmonar, Edidio Guertzenstein foi Presidente da FIERJ – Federação Israelita do Rio de Janeiro, no período de 1965 a 1968. Faleceu em 28/06/1978. Elias Niremberg Elias nasceu a 14 set 1919, tendo embarcado aos 08 fev 1945 integrando o CRP – Centro de Recompletamento de Pessoal, e retornado em 18 jul 1945 integrando a Tropa do QG. Consta que, por dominar a lingua inglesa, atuou como interprete junto aos Altos Comandos da FEB e do V Exército Americano. Elias teria sido motorista do Marechal Mascarenhas de Moraes. Residiu em Porto Alegre – RS, e teria sido um dos introdutores do Synteko no Brasil, gozando de boa situação financeira, o que lhe teria permitido auxiliar a Regional de Porto Alegre da Associação de Veteranos, sendo bastante ativo e comparecendo assiduamente aos Encontros Nacionais, até o seu falecimento. Guilherme Bessa Filho Nascido aos 08 jan 1922 em Guajará-Mirim, Rondônia, era filho de Guilherme Bessa e Cecilia Pereira Lopes. Foi casado com a Sra. Guita Litwack Bessa. Era Primeiro Rádio-Telegrafista da Marinha Mercante, tendo sido tripulante de navios navegando em Zona de Guerra, fazendo jus à Medalha de Serviços de Guerra com 3 Estrelas, outorgada pelo Presidente da República, sendo o Diploma assinado pelo Ministro da Marinha Almirante Sylvio de Noronha. Falecido aos 15 dez 89, foi sepultado no Cemitério Comunal Israelita, no Caju, Rio de Janeiro.