top of page
  • Google+ Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • LinkedIn Social Icon
  • Facebook Social Icon

Bernardo Stifelman, Boris Markenzon e Boris Schnaiderman

Bernardo Stifelman Nascido aos 20 mar 1914, Bernardo era natural da Colonia Philipson, em Santa Maria da Boca do Monte, Rio Grande do Sul, filho de Guilherme Stifelman e Rosa Goldenberg Stifelman. Seria interessante recordar um pouco da incrivel história de como judeus foram parar no interior do Rio Grande, transformando-se em autênticos gauchos… O anti-semitismo grassava na Rússia Czarista e na Polônia, ela mesma durante anos subjugada pelos russos. Entre os que também tentaram amenizar o sofrimento de seus irmãos, destacou-se o Barão Maurice de Hirsch. Descendente de uma antiga família de banqueiros e industriais da Baviera, destacou-se como financista em Bruxelas, e fez fortuna construindo ferrovias para o então poderoso Império Otomano. Nas suas andanças pelas obras, viu como seu povo sofria, castigado pelo isolamento e pela miséria que lhes impunham as autoridades religiosas. Era igual ou pior que na Polônia e Rússia. D_eus, em sua infinita sabedoria, submetia Seu povo a provações, enquanto dele saiam nomes como Jesus Cristo, Moises, Freud, Einstein, Marx, e por que não, Steven Spielberg e Madonna... As guerras russo-turcas pioraram a situação, e se de um lado os maltratavam, de outro sadicamente não os deixavam sair. Era caro vencer a burocracia e partir. Os judeus eram pobres, e Hirsch, junto com sua esposa Clara de Bischoffsheim tentou minorar a calamidade criando centros educativos e de ajuda. A perda do único filho determinou o lançamento de todas as energias e fortuna do casal num dos esquemas filantrópicos mais extraordinários da história. A Tzedaka, milenar palavra hebráica que significa caridade, a que o judaísmo obriga seus fieis, passou a ser o centro das suas vidas, ainda que estivessem longe de serem religiosos, muito menos ortodoxos. O barão fundou a Jewish Colonization Agency, que comprava terras no interior do Brasil, Argentina, Estados Unidos e Canadá, e pagava as passagens dos judeus que quisessem sair da Europa sofrida e se transformarem em agricultores naquelas terras abençoadas, carentes de povoação e mão-de-obra, onde prosperariam e conservariam sua ricas tradições, como relatado amplamente em Los Gaúchos Judios, Gerchunoff, e El Moises de Las Américas, Dominique Frischer, Aténeo. Os Stifelman poderiam ter escolhido Moiseville no Pampa argentino, Erechim ou Quatro irmãos, onde até hoje existem judeus descendentes daqueles trazidos pelo barão. Mas por alguma razão preferiram Santa Maria, passando a desfrutar da vida rural com que sonharam na Rússia. Maurice e Clara continuaram salvando seus irmãos, criavam escolas, serviços públicos, entidades assistenciais. Mas, ao contrario das ferrovias, o barão nunca visitou as terras que comprou. E sem a sua presença, problemas diversos acabaram arquivando os sonhos grandiosos de instalar milhões de judeus. Ainda assim, milhares foram trazidos, e sua descendência hoje se multiplicou. O grande publico nem sonha quem são eles. Muitos se surpreenderiam em saber quanta gente importante descende daqueles que um dia perambularam de pés descalços, com seus pais e avos, pelo solo poeirento dos Pampas, gaúchos ou argentinos ... Ministros, médicos, generais, advogados, escritores, e até revolucionários, Em sua luta, o barão se tornou amigo do Príncipe de Gales, que viria a ser Eduardo VII, passando longos períodos em Londres. Cosmopolita, com passaporte austríaco (a família viveu por gerações na Baviera), morava em enorme complexo de mansões em Paris, sua primeira base de operações foi Bruxelas, e fez fortuna na Turquia. Em 1955, a JCA se transformou na ICA - Israel Colonization Agency, que até hoje perpetua a memória do barão, ajudando kibutzim, instituições agronômicas e concedendo bolsas para estudo e pesquisa agropecuários. Como tantos de seus correligionários, o jovem Bernardo deixou o interior, atraído pela cidade grande, onde foi ser auxiliar de escritório na Cooperativa dos Funcionários da Viação Férrea do Rio Grande do Sul, nas horas vagas frequentando o Circulo Social Isralelita em Porto Alegre. Gostava de aviões, que observava atérrisando e decolando no então longinquo aeroporto, depois Salgado Filho. Daí para alistar-se na Aeronáutica foi um passo. Enviado para servir na Base Aérea de Recife, foi Sargento e Sub Oficial, Fotógrafo de Voo, Metralhador e Bombardeador. Eram tempos difíceis, a Alemanha já dominava meia Europa, Polônia, França, estendia seus tentáculos malignos para a Africa, e os submarinos ameaçavam a navegação atacando nossos navios em plena costa brasileira. Bernardo passava longas horas a bordo de aeronaves patrulhando o Atlântico. Mas felizmente a ameaça nazista ao Brasil se desvaneceu, assim como os sonhos malévolos do III Reich de dominar a América Latina, em seus pretensos mil anos que foram apenas 12. Assim, em razão de sua dedicada atuação, o 1° Sargento Q-FT Bernardo foi condecorado com a Medalha Militar da Campanha do Atlântico Sul, pelo Ministro da Aeronáutica, e promovido a Sub-Oficial, em 07 dez 1945, pelo Ministro da Aeronáutica Armando Trompowski. Em 23 jul 1953 o Presidente da República decretou a sua passagem para a Reserva, no posto de 1° Tenente, por ter realizado missõe de patrulhamento no Atlantio Sul, garantindo a livre navegacao dos comboios ao longo da costa barsileira. Na vida civil Bernardo dedicou-se ao plantio de café e depois ao comércio, residindo hoje em Lauro de Freitas, município próximo a Salvador, Bahia, onde nas tardes calmas costuma observer o mar azul e o céu a sua frente, recordando os tempos da juventude em que observava os antigos aviões em Porto Alegre, e as missões que cumpriu ali mesmo sobrevoando aquele mesmo mar hoje a sua frente. Boris Markenzon Nascido no Rio de Janeiro em 28/05/1915, era filho de Adolfo Markenson e Anna Markenson, imigrantes russos que se fixaram no Rio de Janeiro. Tinha um irmão, Samuel, médico e professor. Boris cursou o Colégio Militar na Rua São Francisco Xavier na Tijuca, e a Escola Naval, na Ilha de Villegaignon, Rio de Janeiro, onde foi praça de Aspirante de 26 abr 1934, sendo declarado Guarda-Marinha do Corpo da Armada na Turma de 23 dez 1938. Como jovem Tenente esteve embarcado até o final da Guerra, participando de operações de escolta a comboios de navios mercantes. Sobre aquela época, seus filhos Ricardo e Roberto não recordam a presença do pai em casa, apenas as chegadas e partidas, e a apreensão da mãe, Da. Amália. Os filhos tambem cursaram a Escola Naval, tornando-se Oficiais de Marinha. Havia o risco da presença de submarinos alemães, responsáveis por dezenas de torpedeamentos de navios mercantes nacionais. Em um destes navios, o Anibal Benévolo, estava o cunhado de Boris, Mauricio Pinkusfeld, irmão caçula da esposa, lamentavelmente desaparecido no mar no afundamento. Foi promovido a Capitão Tenente aos 10 dez 1951, sendo nomeado Capitão dos Portos da Paraíba, e promovido a Capitão de Corveta aos 17 mar 1952. Em 1957 serviu na Força de Transporte da Marinha, a bordo do Navio Transporte Ary Parreiras. Realizou o Curso de Submarinos e de Comando da Escola de Guerra Naval. Em 1958 foi Imediato do Navio Transporte de Tropas Barroso Pereira, que transportou o Batalhão Suez para a região de Gaza, onde atuou como Força de Paz da ONU no período 1957-1967. Em 1959 tirou o CEMCFA – Curso de Estado Maior e Comando das Forças Amadas, na ESG – Escola Superior de Guerra. Em 1960 era Chefe da 4ª Seção do EMFA – Estado Maior da Forças Armadas, no Palácio Monroe, na Cinelândia, Rio. Em 1961 comandou o contra-torpedeiro Greenhalg. Em 1964 foi Capitão dos Portos do Pará e Amapá, e Delegado do Trabalho Marítimo. Por diversas vezes exerceu interinamente o comando do 4° Distrito Naval. Recebeu a Medalha de Serviços de Guerra, Medalha da Força Naval do Nordeste, Mérito Tamandaré, Medalha Militar em Ouro – 30 anos de Bons Serviços, Ordem Nacional do Mérito da República do Paraguay. No posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra, passou para a Reserva em 16 out 1964, e por ter servido em Zona de Guerra e com mais de 35 anos de serviço, elevado na inatividade ao posto de Vice-Almirante. Falecido em 07/08/1988. Boris Schnaiderman A FEB era um verdadeiro microcosmo da Sociedade Brasileira, com homens de diversos estados do Brasil, tanto é que até hoje existem associações de ex-combaténtes em mais de vinte cidades brasileiras.  Havia nordestinos, sulistas, nortistas, pretos, brancos, enfim, era o Brasil que ali estava. Consequentemente, o grau de instrução dos pracinhas variava bastante, encontrando-se nas fileiras desde aqueles pouco afeitos as letras até artistas e intelectuais de elevada expressão, alguns dos quais integrantes da Nominata deste volume, como Boris Schnaiderman.  Jornalista e escritor consagrado, gentilmente nos enviou suas informações, que reproduzimos ao final. Ficou conhecido como tradutor, ensaísta e maior autoridade em literatura russa no Brasil, ele que nasceu na Rússia justamente em 1917, ano da Revolução de Outubro. Desde os anos 40 traduziu diretamente do russo grandes autores como Dostoievski, Tchekov, Tolstoi e Gorki, entre outros.  Autor de Guerra em Surdina, livro autobiográfico e semificcional que relata sua experiência como Pracinha da FEB, onde serviu no 2° Grupo do 1° Regimento de Obuses Auto Rebocado, tendo embarcado aos 02 jul 1944 e retornado aos 18 jul 1945. Boris era 3° Sargento e foi destacado para a Central de Tiro como controlador vertical, pelos seus conhecimentos matémáticos de engenheiro, formado pela Escola Nacional de Agronomia na então Universidade Rural do km 47 da antiga Rio-São Paulo em Seropédica, Estado do Rio.  Boris não pôde fazer o CPOR, privativo de brasileiros natos, mas como engenheiro agrônomo deveria se naturalizar e prestar o Serviço Militar, para poder exercer a profissão. Era a norma do Estado Novo.  Em 1960 foi o primeiro professor do Curso de Língua e Literatura Russa da USP. Tendo residido bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo, veio a falecer em 18 de maio de 2016 nesta cidade, aos 99 anos.  Informações sobre Boris Schnaiderman  (Chnaiderman, nos registros oficiais)  Nasci em Úman, Ucrânia, em 1917, mas fui levado para Odessa quando tinha cerca de um ano. Tive formação russa.  A família emigrou para o Brasil em fins de 1925. Residimos uns seis meses no Rio de Janeiro e depois, em São Paulo, onde cursei o primário e o secundário.  Meu pai estabeleceu-se no Rio de Janeiro em 1934, quando o ajudei numa lojinha de perfumes. Ingressei em 1937 na Escola Nacional de Agronomia, pela qual me diplomei como engenheiro-agrônomo.  Devido à legislação do Estado Novo, só poderia registrar meu diploma depois de me naturalizar e obter o certificado de reservista. Minha naturalização saiu em 1941, e em 1942 cumpri o serviço militar no Segundo Grupo do 1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado (nome dado à unidade, depois que foi incorporada à FEB), onde fiz curso de sargento.  De posse da documentação exigida, tornei-me funcionário do Ministério da Agricultura, lotado no Instituto de Ecologia Agrícola, na Baixada Fluminense.  Convocado nas vésperas do embarque do Primeiro Escalão da FEB para a Itália, fui designado para a função de calculador de tiro, na qual permaneci no decorrer da campanha. De regresso ao Rio de Janeiro, reassumi o meu cargo no Ministério da Agricultura, do qual me demiti pouco depois.  Tendo residido ora no Rio ora em São Paulo, reingressei em 1948 na carreira de agrônomo do Ministério da Agricultura, sendo designado para a Escola Agrotécnica de Barbacena (Minas Gerais), onde permaneci até 1953, quando me demiti novamente, passando a residir em São Paulo.  Trabalhei como redator de uma enciclopédia e, em 1960, tornei-me professor da Universidade de São Paulo, onde fundei o Curso de Russo. Paralelamente, fui tradutor de obras literárias russas (atividade a que me dediquei durante muitos anos, pois minha primeira tradução de livro saiu em 1944).  Publiquei também artigos e livros de literatura, que incluem Guerra em Surdina (ficção-documento sobre os brasileiros na guerra) e algumas coletâneas de ensaios.  Aposentado da USP em 1979, continuo minhas atividades literárias até hoje.  Sou casado com Jerusa Pires Ferreira e tenho dois filhos de minha primeira esposa, Regina Schenkman Schnaiderman, já falecida.  B.S.


 
RECENT POST
  • Grey Google+ Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey LinkedIn Icon
  • Grey Facebook Icon
bottom of page