Capítulo 5 HOMENAGEM ESPECIAL Os Bravos que Vieram de Longe Participação Especial do General Ruy Le
Este é um depoimento precioso, da lavra de um grande Soldado, que aos 92 anos o elaborou especialmente, escrevendo penosamente à mão devido a dores que o acometiam, ao longo de vários meses em 2008, para este livro, em meio às vicissitudes da luta travada pelos últimos remanescentes vivos da gloriosa Força Expedicionária Brasileira, para manter acesa a chama que ilumina a memória dos feitos de nossos patrícios na Segunda Guerra Mundial, constituída pela ANVFEB – Associação Nacional dos Veteranos da FEB. O General CAMPELLO é Presidente do Conselho Deliberativo da ANVFEB, e desejou prestar a sua homenagem aos colegas de turma da Escola Militar do Realengo, os Irmãos Chahon e o Ten Pinto Duarte.
{ I } Introdução Estamos vivendo novo século. São passados mais de sessenta anos. O Brasil foi, então, envolvido em sangrentos acontecimentos e obrigado a responder a afrontosos atos que feriram sua soberania. Era a II Grande Guerra que assolava todos os recantos de nossos continentes. Tivemos que preparar representação, isto é, um braço forte - militar - para apoiar os aliados e revidar os ataques sofridos ao longo da costa brasileira, contra unidades de nossa marinha mercante. Tal foi, sem dúvida, o motivo cruciante que levantou a opinião nacional e acabou por exibir o rompimento diplomático e a seguir - o estado de guerra - contra as potências do eixo. E o Brasil foi à guerra. Na península italiana, no Continente Europeu, de onde partiram os navegadores e as caravelas de Dom Manuel, de Sagres; Colombo, o Genovês; Vasco da Gama e aqui aportou Cabral. Muito se tem escrito - loas e acerbas críticas - que vão do desempenho glorioso, a impiedosas considerações, que abrangem todos os setores envolvidos - políticos e militares e o mesmo povo que acudia às ruas exigindo revide aos “ataques do eixo”, passado o tempo, esquece seus mártires e despreza os feitos de seus bravos soldados, aí incluídos aqueles que escrevem “abalizadas opiniões” para diminuir os êxitos e aumentar as falhas ocorridas e que, em havendo nova feita, ocorrerão certamente. Tendo vivido os acontecimentos, função da profissão abraçada, com ardor e dedicação labutado toda uma vida, não posso deixar passar sem frustração tal sentimento, quando, no último quartel da existência, assisto, leio ou escuto opiniões, que tocam fundo a alma de velho soldado e combaténte da arma de infantaria. Em algum ponto e, ninguém é perfeito, podemos ser apontados por um senão. Assumimos a responsabilidade, mas estamos conscientes de havermos procedido visando, sempre e apenas, ao cumprimento do dever. O devaneio acima surgiu após recentes comemorações do sexagésimo terceiro aniversário da tomada de Monte Castelo, a 21 de fevereiro de 1945. Incluo, ainda, recente envolvimento com o grupo de veteranos congregados na ANVFEB (Associação Nacional de Veteranos da Força Expedicionária Brasileira). A Associação encontra-se em difícil situação, sem recursos financeiros para fazer frente aos encargos administrativos e quadros capazes de enfrentar a eventualidade, pois seus associados são cidadãos que já ultrapassaram oitenta anos! Ao finalizar este intróito devo incluir a razão que me obriga recordar fatos e passagens vividas, quando, como jovem tenente, integrei a 5° Cia Fuzileiros do Regimento Sampaio. Decidi aténder solicitação de dedicado professor Israel Blajberg, que planeja editar trabalho exaltando a conduta de jovens brasileiros, durante o desenrolar da Campanha da Itália e intitula o trabalho, “SOLDADOS QUE VIERAM DE LONGE”. Examinando a relação apresentada, todos israelitas, retirei dois nomes. Eis que foram colegas de nossa turma de cadetes da saudosa Escola Militar de Realengo, matriculados em 1938, portanto, época em que o fantasma da II Grande Guerra preparava- se para mostrar suas garras avassaladoras. Tentaremos mostrar o desempenho dos sempre lembrados companheiros Alberto Chahon e Moyses Chahon, dois irmãos que viveram, como todos nós jovens tenentes da arma de infantaria todas as agruras da guerra, integrando o Regimento Sampaio. A exposição relativa a Moyses Chahon é mais ampla, pois participou de todas as operações do II BI (Major Syseno), justamente o meu batalhão e daí a decisão de mostrar nossas observações que retratam os embatés enfrentados na campanha pelos executantes de 1° escalão de combaté. No que respeita ao caro companheiro e amigo Alberto, integrando o 1° BTL (Major Uzeda) do mesmo Regimento citamos, um resumo, mas sua conduta merece toda admiração e é digna de ser apontada. { II } Dois Tenentes O Tenente Alberto Chahon, mais moço dos citados, comigo serviu no 2° Regimento de Infantaria, quando se iniciou a organização da FEB. Foi classificado no 1° Batalhão do Regimento Sampaio e exerceu função de realce como “oficial de transmissões”, termo usado na época para indicar importante necessidade de combaté e chefia, isto é, as comunicações necessárias ao comando, no que respeita o estabelecimento das ligações, transmissão de ordens e informações de combaté. No 1° Batalhão de Sampaio permaneceu durante toda a campanha. Viveu as dificuldades da entrada em ação no ataque, de 29 de novembro de 1944, a Monte Castelo, a defensiva de inverno no Vale do Reno; o ataque vitorioso a Monte Castelo de 21 de fevereiro de 1945; as operações da ofensiva da primavera em Montese e a perseguição das colunas inimigas até o Vale do Pó. Em nenhum momento ouvi ou presenciei atos ou reclamações, que atingissem sua atuação profissional, principalmente, no seu Batalhão (Btl Uzeda), cujo comandante não poupava àqueles que apresentassem alguma falha. Alberto Chahon continuou sua carreira, já agora, no posto de Coronel e fazendo parte de quadro especial, pois concluira o curso do instituto Militar de Engenharia (QMB), Matérial Bélico. Calmo, simples e cortês, compareceu sempre às reuniões de sua turma - “Os cadetes de 1938”. Em setembro de 2001, perdemos o caro companheiro e fomos homenageá-lo em seu sepultamento, no Ceminário de São Francisco Xavier (Ala Israelita). O Tenente Moisés Chahon, irmão mais velho de Alberto, sempre apresentou traços diversos de personalidade. Alegre e comunicativo conosco confratérnizou, nos tempos felizes de tenentes solteiros, na Tijuca e em suas reuniões festivas. Inteligente e com facilidade no trato de idioma estrangeiro, deixou passar oportunidade e foi ultrapassado por Alberto, que foi declarado. Aspirante a oficial, da arma de Infantaria, um ano antes, a de 3 de dezembro de 1940. A época era de incerteza e vamos encontrá-lo, vejam o destino, também classificado no Regimento Sampaio, que se preparava para integrar a FEB. Eram os tempos do 2° Batalhão (Major Syseno) e o Ten Chahon fora assumir a sua função de comandante de pelotão da 6° CIA. Em novembro 1944, nosso comandante do Regimento, o sempre lembrado Coronel Aguinaldo Caiado de Castro, em sua “Ordem do Dia” alertava seu Regimento: “Além, nas Alturas Apeninas, o “Boche” invasor e traiçoeiro vos espera...!” Estávamos ainda acampados na área da Tenuta di S. Rossore (PISA), em final de ajustamentos. Dias antes, final de outubro de 1944, puro acaso, quando nos deslocávamos, vamos encontrar, em animada conversa, Alberto e Moyses Chahon que estavam “sendo visitados” por outro companheiro de turma - o Tenente José Maria Pinto Duarte, que integrava o 6° RI, em ação no Vale do Serchio, pois seu Regimento fazia parte do 1° escalão da FEB e nos precedera na chegada além-mar. A conversa seguia animada e Pinto Duarte transmitia suas observações. O inimigo estava em retirada e seu Regimento, até o momento, não encontrara dificuldades. O 6° RI conseguira os promeiros louros de sua atuação. Anotei as observações. Mas, o destino acabaria por desfazer a facilidade pintada pelo nosso entusiasmado e sempre lembrado companheiro. Ele seria, mais adiante, uma das vítimas a lamentar! O inimigo, na verdade, manobrava em retirada, até a linha de alturas escolhida para quebrar o ímpeto ofensivo do nosso GT (Grupamento Tático) que atuava no Vale do Serchio e, tinha razão, a advertência de nosso Comandante, o Coronel Caiado.
{ III } Entrada em Ação
Finalizados os reajustamentos necessários, o nosso 2° Batalhão (Major Syseno), entra em ação no Vale do Reno, substituindo tropa do 6° RI. A 6° CIA, do Tenente Moyses Chahon ocupa posição a oeste da 5° CIA, região de Áfrico-Volpara. Tivemos, então, os primeiros contatos com o inimigo. Grande tensão e apreensão. Surgem as primeiras baixas. O frio já mostrava suas dificuldades. A leste do dispositivo do 2° Batalhão sobressaíam às alturas de Torre de Nerone e Soprassaso que tinham amplo domínio de observação sobre nossas posições. Ação de artilharia e morteiros. Patrulhas que procuram sondar os pontos sensíveis do dispositivo. A lama e as alturas dificultam o aprovisionamento e remuniciamento. São empregados muares dos alpinos italianos. Mais adiante, as linhas avançadas aparecem cobertas de panfletos. Eram os tiros de propaganda inimiga que, aquela altura, já identificara a nacionalidade da tropa que o enfrentava. Procurava, assim, influir na moral de nossas tropas. Os panfletos poderiam ser utilizados como salvo-condutos. Nas posições defensivas e, naqueles dias de verdadeira adaptação à vida do infante em campanha, tivemos, todos nós, ocasião de provar nossas condições físicas e morais necessárias aos embatés que estavam por acontecer. A 29 de novembro o 1° Batalhão (Uzeda), tomara parte em operação de ataque a Monte Castelo. A notícia chegara ao conhecimento dos 2° e 3° Batalhões, em posição, na frente defensiva. Claro que o impacto do insucesso foi recebido com preocupação. Logo a seguir, início de dezembro, o inverno já fazia sentir seus efeitos. Os Batalhões (2° e 3°) que estavam em linha são substituídos, colocados em reserva e reajustam seus efetivos. Haverá nova operação de ataque a Monte Castelo, em data ainda não conhecida em nosso escalão, mas nos reconhecimentos realizados indicavam que logo estaria para acontecer. A 12 de dezembro, a operação é desencadeada. O 2° Batalhão, incluindo a 6° CIA do Tenente Moyses Chahon, torna parte no ataque. As três subunidades, a 4°, 5° e 6° CIA, são engajadas e sofrem pesadas baixas. A visibilidade não permitia o apoio necessário dos fogos de artilharia e dos carros de combaté americanos. A infantaria não conseguiria e não conseguiu quebrar as resistências alemãs que em suas casamatas e dominando a observação do compartilhamento de ataque, impede a progressão do escalão de ataque, causando pesadas baixas. A 6° CIA e ai estão os Tenentes Apolo Rezk, Moyses Chahon e Deschamps, assim como os demais integrantes da 4° e 5° CIAS, tiveram papel importante e provaram sua tempera de infantes. O Tenente Apolo foi o mais sacrificado, pois, vencido pelas dificuldades de observação, foi envolvido e seu pelotão é praticamente dizimado pelo fogo ajustado do inimigo. Ao cair da tarde, a operação é encerrada e a tropa atacante retorna às bases de partida. Muitos ali ficaram e seus corpos só foram recuperados mais tarde, por ocasião da ofensiva da primavera. A neve, que começara a cair, seria a mortalha daqueles que, sem medo e com denodo, cumpriram o sagrado dever de servir ao seu Exército e a sua Pátria. Devo acrescentar que esta dissertação é difícil de resumir e tudo o mais que ainda falta relatar. Eis que, como o Tenente Moyses Chahon, enfrentamos o inimigo e, na pele e na alma de jovens oficiais, sentimos os efeitos da dolorosa jornada e experimentamos o amargor da derrota e do insuscesso. { IV } Ataque a Monte Castelo a 21 de fevereiro O IV CEx que enquadrava a nossa DIE recebera o reforço de uma divisão: a 10° DIMnth, especialmente preparada para combatér em regiões montanhosas e que estava concentrada na região de Vididiatico, no limite oeste da zona de ação, tendo ao Norte, justamente, os conjuntos montanhosos de Monte Capel Buzo (1151), Pizzo di Campiano - Monte Belvedere (1140) - Monte Gorgolesco (1120), cuja posse era essencial para o sucesso da ofensiva. O cenário daquelas alturas, observando a Região Norte e Nordeste da localidade da Gaggio Montano, onde surgia Monte Castelo (977), era menos íngreme. A observação da topografia deixava ver a dificuldade do ataque, sem anular, em um primeiro lance, o domínio das elevações citadas a oeste. Desta vez, porém, Monte Castelo seria atacado pela DIE, após a ação da 10° DI Mnth, e em cobertura de seu flanco leste para permitir a progressão visando às passagens que levavam ao Vale do Pó. Tomaram parte na jornada, o 1° Ten. Alberto Chahon como oficial de transmissões do 1° BI (Major Uzeda) assegurando as ligações e transmissões de ordens e o 1° Ten. Moyses Chahon, na 6° CIA, 2° BI (Major Syseno) que seria lançado no prosseguimento da operação de La Serra. { V } De La Caselina - La Serra Os dia que se seguiram, após o êxito do ataque a Monte Castelo, exigiram grande aténção e redobrados reforços. Monte Castelo era nosso! Entretanto, os alemães ofereciam séria resistência, ainda em Torracia, dificultando a progressão da 10° DI Mnth. Era necessário anular a obstinação inimiga. O 2° BI (Major Syseno) é lançado a Leste, na direção Caselina La Serra, com a missão de conquistar Cota 958 - La Serra, em condições de prosseguir sobre Roncovelio. Operação de grande importância, pois o sucesso tornava difícil a manutenção de Torracia pelo inimigo. O desempenho dos Tenentes Apolo e Chahon foi merecedor de destaque, bem assim o Tenente Deschamps e os demais integrantes da 5° Cia, Tenente Bicudo, Segismundo e Moacir. Estão incluídos também e com destaques os Tenentes Bordeaux e Acioli do 3° BI (Major Franklin). A noite de 24/25 de fevereiro, passada em Caselina, foi enfrentada debaixo de pesados bombardeios desencadeados e destacamos o desempenho dos Cap. Cmt. da 6° e da 5° Cia, pela calma e segura atuação orientando a ação de combaté de seus pelotões. O Pelotão Chahon ultrapassa Bela Vista e conquista 958. O Tenente Apolo sofre leve ferimento e é substituído pelo Sargento Schultz, mais tarde promovido a 2° Tenente. O Pelotão Deschamps é lançado em reforço para La Serra. A operação tem sucesso, afinal, e a frente 950 - La Serra - Seneveglio está em nossas mãos.
{ VI } Montese - Ofensiva da Primavera
Recebemos ordens para reconhecimentos de novas posições: Campo Del Sole - Tamburini - Sassomolare, a sudeste de Montese, onde deveríamos substituir tropa americana da 92° DI, cujos efetivos eram constituídos por homens de cor e somente os oficiais superiores brancos. Um tipo de segregação racial, para os brasileiros estranho. Hoje, tal atitude mudou. A conduta dos homens da 92° DI era displicente, inclusive abandonando matérial. Diversas proclamações foram distribuídas às tropas atacantes: do Supremo Comandante Aliado do Teatro de Operações do Mediterrâneo, Marechal H.G. Alexandre; do CMT do V Exército, Tenente Gen. L. K. Truscott Jr e do CMT da DIE, Gen. Mascarenhas de Moraes. Os textos das proclamações mostravam, de maneira incisiva, a certeza do êxito e da vitória final que resultaria da ofensiva a desencadear. A operação ganhou o nome de “Ofensiva da Primavera” e teria início a 10 de abril. Nesse interim, foram realizadas patrulhas à luz do dia. Face a Montese visando 747 e 759, ao comando do Tenente Iporan e Sargento Max Wolf, do 11° RI. O desempenho do Sargento Wolf mostrou sua intrepidez e bravura e sua morte, à frente de seus homens, notável exemplo de abnegação e liderança. Mais a leste, na frente da 4° Cia, em Creda e Possessione, o Aspirante Amorim e Aspirante Mega, lutam com denodo e determinação, resultando o ferimento do Aspirante Amorim e a morte do Aspirante Mega, além do soldado enfermeiro Wilson Bonfim, vitimado em campo minado. A 5° Cia recebe ordem de reforçar à 6° Cia, a leste do dispositivo, permanecendo, ainda na defensiva ocupando, 810 - Campo Del Sole. Pouco mais tarde, já na região de Sassomolare, em reforço a 6° Cia, assistimos à chegada do General Mascarenhas acompanhado de um grupo de oficiais de seu estado-maior. O Cmt da Cia, Capitão Wolfango tem, então, oportunidade de apontar os pontos no terreno que estão mais à frente, ocupados por seus pelotões e que encontram dificuldades pela reação inimiga de ultrapassar 744, Pelotão Chahon e Apolo. O local, de onde observam a frente, Posto de Observação (PO) , é hoje, histórica fotografia e dali foi possível mostrar ao General Mascarenhas, o comportamento do ataque em curso. Pouco mais adiante, o General Cmt retira-se. { VII } Perseguição - Final das Operações A DIE organiza 3 GT (Grupamentos Táticos) ao comando dos Gen. Cordeiro, Falconiere, Zenóbio com a missão de continuarem a ofensiva visando o cerco do Exército da Ligúria. A 2 de maio, recebe a DIE ordem de cessar as hostilidades tendo em vista a rendição total das forças inimigas. O nosso 2° BI (Major Syseno) ocupa PIACENZA e o Quartel General da DIE é localizado em Alexandria. A missão que nos cabe então, é de ocupação do território italiano, livre agora do jugo nazi-fascista! A 8 de maio, é divulgada a notícia do término oficial da guerra na Europa! A operação denominada “ofensiva da primavera” iniciada em 14 de abril tivera seu final a 2 de maio, e exigira dos integrantes dos dois Exércitos aliados - o V Exército Americano e o VIII Exército Britânico - determinação e denodo nas diversas fases da campanha em que foram envolvidos.
{ VIII } Considerações Finais Estamos chegando ao final do nosso trabalho e não foi fácil consegui-lo. O tempo passado e o peso dos anos, têm influência muito grande. Procuramos fazer o possível para satisfazer ao pedido do professor Blajberg. De início, achamos que ficaria mais apropriado intitular a nossa resposta: “OS BRAVOS QUE VIERAM DE LONGE” A FEB foi organizada, mobilizada para a guerra, lançando mão do sistema de mobilização vigente, previsto na Lei do Serviço Militar - convocando reservistas das diversas classes e catégorias para completarem os quadros das unidades combaténtes, agora e então, obedecendo a novos padrões de unidades, quadro de efetivos e funções, não existentes no Exército em tempo de paz. Evidente, portanto, que as mudanças necessárias exigiam reestruturação dos quadros de organização. Daí, o importante papel da reserva, em particular os oficiais da reserva, que foram integrar os novos quadros de organização. Os oficiais da ativa, profissionais de carreira, efetuaram o enquadramento e o preparo dos convocados, especialmente, aos destinados às pequenas unidades. O total empenhado foi apreciável. Sua conduta e desempenho aténderam à expectativa. A realidade da campanha enfrentada, a entrada em ação, o combaté, mostrou a todos a necessidade e o valor do exemplo, da disciplina e da iniciativa, fatores importantes para os comandantes e lideres na ação e condução de seus homens. Julgo que foram bravos, muito em particular, os integrantes de primeira linha, os nossos soldados que, vindos de todos os recantos do País, enfrentaram as agruras da missão que lhes foi imposta. Não havia preconceito de cor ou religião. Havia, enfatizamos, elementos de credos e religiões diversas. Assim era e é o Brasil. À terras distantes e desconhecidas, foram mandados em revide ais infaustos e mortais golpes desferidos pelas nações totalitárias e como prova de nosso compromisso com a liberdade e a democracia. Da relação apresentada pelo professor Blajberg, selecionamos dois oficiais, por coincidência, irmãos e integrantes de nossa turma de aspirantes da saudosa Escola Militar do Realengo. É oportuno acrescentar que destacamos também um outro companheiro daqueles tempos, o 1° Ten. José Maria Pinto Duarte, que foi abatido pelo inimigo no VALE DO SERCHIO. Colocamos, em apêndice, a homenagem de que foi alvo, quando foi organizado o livrinho da TURMA DE ASPIRANTES (cadetes de 1938). Mais de 60 (sessenta) tenentes de nossa turma, inclusive da FAB, entraram em ação na CAMPANHA ITÁLIA. Os tenentes Alberto e Moyses Chahon compartilharam conosco em toda a caminhada do glorioso Regimento Sampaio, do RIO ARNO ao VALE DO PÓ, nas operações realizadas, durante a II Grande Guerra. Seu desempenho foi escrito baseado na bibliografia existente e na memória do autor. É claro que, em se tratando de um resumo, foram deixados de parte muitos detalhes. Os elogios a que fizeram jus sintetizam passagens da atuação de cada um deles e não podem suscitar dúvidas ou considerações. O calor do combaté e a emoção ao recordar os quadros e as situações que vivemos permanecem gravados e íntegros nas minhas lembranças de velho combaténte da FEB. A figura inolvidável do nosso Comandante de Regimento, o Coronel Aguinaldo Caiado de Castro, que preparou a unidade moral e profissionalmente; o Major Syseno Sarmento, Comandante do 2° BI, figura ímpar de soldado e chefe que exerceu o comando do Batalhão, durante toda a campanha, transmitindo a seus comandados, carinho e solidariedade, em todas as agruras enfrentadas; o nosso Comandante da 5ª Cia Fzos, Capitão Valdir Moreira Sampaio, um exemplo de Capitão de Infantaria, digno de ser apontado e seus subalternos (Tenentes Segismundos, Darcídio, Bicudo, Gilson, Moacir e Evilásio), não podem ser esquecidos. Hoje, não estão mais presentes, mas o seu trabalho e convivência permanecem através o passar inexorável dos tempos. Nossos bravos graduados e soldados que suportaram as dificuldades surgidas e os esforços dispendidos para que as missões fossem cumpridas, mostraram o valor dos soldados brasileiros. Muitos tombaram ou foram vítimas de seqüela durante o desenrolar da campanha, mas souberam elevar bem alto o conceito do Exército e do Brasil! Homenagem Póstuma 1° Ten. Inf. José Maria Pinto Duarte 8 fev 1920 (Rio de Janeiro – DF) 31 out 1944 (S. Quirico, Itália) Cadete do Realengo, 1938 Apirante de Infantaria, 1940 Comandante do Pelotão de Metralhadoras Tombou em Combaté Promovido Post-Mortem ao Posto de Capitão Medalha de Campanha Medalha de Sangue Cruz de Combaté de 1ª Classe “Os Bravos Camaradas do 6°RI” Fonte de Consulta: Um Capitão de Infantaria da FEB - Biblioteca do Exército Editora - Ruy Leal Campello – 1999